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2 milhões de chineses se convertem por ano

Há ainda previsões muito otimistas, como a do autor do livro Jesus in Beijing (Jesus em Pequim), David Aikman, que estima que 300 milhões se converterão nas próximas três décadas, o que transformaria a China em um dos maiores países cristãos do mundo.

Estudo indica que 2 milhões de chineses se convertem anualmente ao Cristianismo no país

A descrição poderia ser a de qualquer igreja protestante ao redor do mundo: no culto, fiéis cantam hinos, ouvem os sermões e lêem trechos da Bíblia. A peculiaridade é que a cerimônia é realizada na China, onde há algumas décadas a Revolução Cultural liderada por Mao Tsé Tung incendiou igrejas e determinou a prisão de importantes líderes cristãos.

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Hoje, segundo um estudo sino-finlandês vinculado à Universidade de Helsinki, 2 milhões de chineses se convertem ao Cristianismo a cada ano, uma das maiores taxas de crescimento da história da religião. Há ainda previsões mais otimistas, como a do autor do livro Jesus in Beijing (Jesus em Pequim), David Aikman, que estima que 300 milhões se converterão nas próximas três décadas, o que transformaria a China em um dos maiores países cristãos do mundo.
Luo Yang, funcionária pública de 38 anos, foi batizada em 1999. Na ocasião, ela não seguia qualquer religião.
- Estava me sentindo muito sozinha naquela época. Foi quando meu professor de inglês, que também é chinês, me convidou para assistir a um culto - conta, por telefone ao JB, de Pequim. - Desde então, tudo vai bem em minha vida. Sempre que tenho um problema rezo e Deus me ajuda.
Como a grande maioria dos estimados 80 milhões de chineses cristãos - que na época da vitória comunista somavam apenas 4 milhões -, Yang freqüenta uma ''igreja familiar'' ou ''residencial''. Os cultos são realizados, clandestinamente, em casas de fiéis. Sua outra opção seria freqüentar a igreja oficial, a Protestant Three Self Patriotic Moviment, que tem sua similar entre os católicos e é controlada pelo Estado. Todos os membros são registrados e os cultos monitorados pelo governo.
- Nessas igrejas há restrições a certas doutrinas, o governo é informado sobre o número de templos que serão abertos e quantas pessoas se formam nos seminários. Tudo é controlado pelo Partido Comunista (PC), que é liderado por ateus - diz Aikman, que foi correspondente da revista Time no país. - Sem qualquer pretensão anti-comunista, os freqüentadores das igrejas residenciais simplesmente acreditam que seu líder é Jesus Cristo, não o PC.
- Na igreja oficial não temos qualquer controle de como gastam nosso dízimo e também não podemos conversar uns com os outros - emenda Yang.
Outro fator curioso entre os novos cristãos chineses é que a maioria dos convertidos hoje é de jovens, urbanos, bem educados e com alto poder aquisitivo, justamente o perfil dos que no Ocidente tomam o rumo contrário. Para o professor da Faculdade de Teologia da Universidade de Helsinki, Miikka Ruokanen, que atualmente está lecionando em Nanjing, um ''vácuo de valores e crenças'' explica o motivo da procura pelo Cristianismo no país. - Há certamente hoje na China um grande vazio disso. A atual ideologia tentou eliminar os antigos valores ''feudais'' durante os últimos 50 anos. Mas o próprio comunismo está enfrentando uma crise de credibilidade - observa. - As pessoas educadas sentem o vazio provocado pelo materialismo. Quando já se está obtendo o que quer, é provável que se sinta infeliz por uma necessidade espiritual.
Mas Ruokanen também observa o grande apelo que o Cristianismo tem hoje nas áreas rurais do país.
- Os camponeses vivem sem previdência social, precisam pagar por educação e pela saúde, um contexto que beneficia a religião cristã.
Mesmo que os adeptos não tenham a intenção de ameaçar o governo, David Aikman lembra como a crença naturalmente favorece a democracia:
- A recente revolução na Ucrânia foi arquitetada e apoiada por igrejas estabelecidas há 10 anos no país. Esse grupo entendeu que se a democracia fosse adiante, seus próprios direitos religiosos seriam protegidos. Eles batalharam muito por Viktor Yushchenko. Perseguição religiosa continua

Estima-se que seja três vezes maior o número de chineses cristãos que prefere freqüentar as chamadas ''igrejas residenciais'' ou ''familiares'', em detrimento às igrejas oficiais. No entanto, a ilegalidade que permeia tais congregações, que não são monitoradas pelo governo nem tem seus fiéis registrados, faz com que a perseguição por parte do Estado ainda seja uma realidade na China, apesar de a própria Constituição do país, em seu 36º artigo, determinar que ''os corpos religiosos e os assuntos religiosos não devem ser submetidos a qualquer interferência ou dominação externa''.

- Nosso padre foi preso em 2003 e fomos proibidos de freqüentar a igreja porque havia detenções - comenta a funcionária pública Luo Yang.
David Aikman, autor do livro Jesus in Beijing, comenta que vários dos líderes religiosos que entrevistou foram presos depois da publicação do material.
- A pressão para acabar com as congregações que não são registradas e com os treinamentos de líderes se intensificou ultimamente na China. Também ficou mais difícil a vida de cristãos proeminentes. Mas acredito que seja algo temporário. Mas, segundo Aikman, a perseguição religiosa não se dá de maneira ''universal'' no país. O autor afirma que há fábricas onde se pode encontrar uma pequena igreja e que cristãos podem ser ''surpreendentemente ativos'' nas universidades, já que estão de certa forma protegidos por uma instituição.
- O Cristianismo não tem o direito de ser publicamente visível na sociedade chinesa - comenta o finlandês Miikka Ruokanen, professor visitante no Seminário União Teológica de Nanjing, na China. (O.H.)

História do Cristianismo no país

1500
Missionários jesuítas chegam a China

1807
Missionários protestantes vêm da Grã-Bretanha

1840
Católicos e protestantes são tolerados oficialmente devido à guerra do Ópio

1850
A Rebelião Taiping, liderada por um líder influenciado pelo Cristianismo, quase derruba o Império

1900
A Rebelião Boxer, levante anti-Cristão e anti-Ocidente, é sufocada por tropas estrangeiras. Atividades missionárias continuam

1911
Sun Yat-sen, um cristão, e outros revolucionários removem a Dinastia Qing

1949
Comunistas tomam o poder. Missionários são expulsos.

1966
Tem início a Revolução Cultural. Atividades religiosas são interrompidas, muitos cristãos são presos

1978
Deng Xiaoping diminui as restrições à prática religiosa

1980
Cristianismo começa a se espalhar pelo país

2005
Dois milhões se convertem a cada ano.

Impossível, não é um fato! É uma opinião.

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