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Como aprendi a aceitar meu corpo

Trs garotas superam o preconceito e aprendem a gostar do corpo cheinho, da alta estatura e dos cabelos cacheados

Quando o canal Disney exibiu uma piada sobre anorexia, a cantora Demi Lovato no poupou a empresa em que trabalhou durante a infncia e a adolescncia e, criticando o texto do programa No Ritmo pelo Twitter, levantou uma discusso sobre a obsesso pela magreza. Pouco tempo antes, Miley Cyrus foi chamada de gorda e, tambm no Twitter, proclamou: curvas so bonitas.

Mais do que se defender das crticas, as estrelas pop levantam uma bandeira importante para o pblico: a da autoaceitao. Em vez de estimularem adolescentes a sofrerem para entrar em padres de beleza, as celebridades incentivam os fs a se aceitarem como so.

A opinio de Demi e Miley sobre os padres de beleza bem-vinda em uma idade em que o comum deixar que a autocrtica excessiva predomine. A adolescncia uma fase de mudanas fsicas e emocionais, e natural que o jovem sinta um estranhamento em relao a si mesmo, diz a psicloga Bruna Vaz, do centro de psicologia CPPL.

Embora esse estranhamento seja caracterstico da idade, pode se tornar um problema quando acontece em excesso. Quando uma questo grave o adolescente se afasta da famlia e dos amigos e se mantm isolado. Evita sair e participar de atividades da escola, diz Bruna. Esses casos podem evoluir para depresso ou anorexia, como foi o caso de Demi Lovato, e a necessrio buscar ajuda profissional.

Mas, de modo geral, possvel transformar aquilo que alvo de piada entre os colegas de classe em qualidade. Basta adotar uma nova postura e criar uma outra imagem de si mesmo.
Ser diferente legal

A modelo Andrea Boschim passou boa parte da adolescncia brigando com a balana e se sentindo de fora da turma por ser gordinha. Eu me cobrava para emagrecer. Na poca do colgio fiquei muito apaixonada por um cara e decidi perder peso para faz-lo se interessar por mim, conta. Emagreci 12 quilos e, na viagem de formatura, ele quis ficar comigo. Foi a que eu percebi que tinha feito um sacrifcio muito grande por causa de um cara e que aquela no era eu, e no quis saber do garoto, lembra Andrea.

Foi nessa poca que a modelo percebeu que era legal ser diferente e comeou a aceitar o prprio corpo. Eu queria ser igual a todo mundo e no tinha nenhuma referncia. No existe uma apresentadora de TV jovem gordinha, por exemplo. As gordinhas so mais velhas e fazem programas caretas, queixa-se.

Hoje, ela vive dos trabalhos como modelo plus size, j foi eleita a gordinha mais sexy do Brasil e fez campanhas publicitrias importantes. Recebo mensagens no Facebook de meninas gordinhas que querem ser modelo, ou que comearam a olhar para a vida de um jeito diferente quando conheceram minha histria. E essa a parte mais legal do meu trabalho, conta Andrea.

Tornar-se referncia , de fato, uma maneira de ajudar quem se sente mal com o prprio corpo da maneira que a modelo plus size se sentia na adolescncia. Ter algum para se inspirar pode minimizar as crises tpicas da idade. Independentemente de ser bonito o adolescente vai se sentir feio e apontar defeitos em si mesmo, explica Bruna.
Fonte de inspirao

Passar de minoria a referncia no exclusividade de Andrea. A jornalista e autora do blog "So Shopaholic" Fernanda Alves, de 26 anos, publica os prprios looks no blog e exibe, com orgulho, a cabeleira volumosa e cacheada, que nem sempre foi assim. Comecei a fazer relaxamento no cabelo aos 10 anos. Passei a infncia e a adolescncia com ele praticamente liso, conta. Na poca, Fernanda encarava a qumica como um jeito de domar as madeixas, e s na idade adulta foi entender que no precisava disso para ter cabelos bonitos.

Depois de mostrar os cachos naturais no blog, ela se tornou inspirao para outras meninas. Recebo e-mail de leitoras perguntando o que as pessoas vo falar se deixarem os cabelos ao natural, se vo achar que esto desarrumadas no ambiente de trabalho. Existe um preconceito, uma ideia de que cabelo crespo incontrolvel, afirma.

Aceitar uma caracterstica fsica antes vista como um defeito depende de uma dose de autoestima. E, embora isso seja claro na teoria, na prtica no to bvio faz-la ficar maior. A partir de quanto o adolescente se v dessa maneira? Por que isso comeou? So esses os pontos que tentamos descobrir e trabalhar, explica a psicloga Bruna Vaz. De acordo com a profissional, o primeiro passo para se aceitar entender por que existe a dificuldade em se gostar.

Para a modelo Jessica Ludwig no foi nada difcil achar a origem do trauma. Com 1.75 m de altura, magrrima, ruiva e dotada de traos exticos e uma beleza incomum, ela foi vtima de piadas na escola desde a infncia. Me chamavam de foguinho, boca de peixe e pit Bull. Eu era excluda nos trabalhos de classe. Quando tinha dana nas festas da escola eu no participava porque todos os meninos da turma eram menores do que eu. E os garotos gostavam das mais baixas e com curvas, conta.Foi graas a um vizinho, ningum menos que o cabeleireiro Celso Kamura, que a beleza de Jessica foi descoberta e ela entrou para o mercado da moda. Hoje eu fao parte de um mundo ao qual poucas pessoas tem acesso e me dizem que sou linda, comemora. Jessica foi escolhida por Amir Slama para fazer a campanha do estilista e conta que hoje tem poucos, mas bons amigos. Acho que ter passado por isso na escola me deixou mais forte, com mais personalidade e carter, conta.

A quem sofre bullying na escola por ser diferente, a modelo aconselha no esmorecer: um obstculo que voc pode passar por cima e receber algo bom no final. Tudo passa.

Aprendi que, no importa o quanto meu corao esteja sofrendo, o mundo no vai parar por causa disso.

desconhecido

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