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Dwight L. Moody (1837-1899)

Um clebre ganhador de almas, para o reino de nosso Senhor Jesus Cristo.

Tudo aconteceu durante uma das famosas campanhas de Moody e Sankey para salvar almas. A noite de uma segunda-feira tinha sido reservada para um discurso dirigido aos materialistas. Carlos Bradlaugh, campeo do ceticismo, ento no znite da fama, ordenou que todos os membros dos clubes que fundara assistissem reunio. Assim, cerca de 5.000 homens, resolvidos a dominar o culto, entraram e ocuparam todos os bancos.

Moody pregou sobre o texto: "A rocha deles no como a nossa Rocha, sendo os nossos prprios inimigos os juzes" (Deuteronmio 32: 31).

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"Com uma rajada de incidentes pertinentes e comoventes das suas experincias com pessoas presas ao leito de morte, Moody deixou que os homens julgassem por si mesmo quem tinha melhor alicerce sobre o qual deviam basear sua f e esperana. Sem querer, muitos dos assistentes tinham lgrimas nos olhos. A grande massa de homens demonstrando o mais negro e determinado desafio a Deus estampado nos seus rostos, encarou o contnuo ataque de Moody aos pontos mais vulnerveis, isto , o corao e o lar.

"Ao findar, Moody disse: 'Levantemo-nos para cantar: Oh! vinde vs aflitos! e, enquanto o fazemos, os porteiros abram todas as portas para que possam sair todos os que quiserem. Depois faremos o culto, como de costume, para aqueles que desejam aceitar o Salvador '. Uma das pessoas que assistiu a esse culto, disse: ' Eu esperava que todos sassem imediatamente, deixando o prdio vazio. Mas a grande massa de cinco mil homens se levantou, cantou e assentou-se de novo; nenhum deles deixou seu assento!"

" Moody, ento disse: ' Quero explicar quatro palavras: Recebei, crede, confiai, aceitai '. Um grande sorriso passou de um a outro em todo aquele mar de rostos. Depois de falar um pouco sobre a palavra recebei, fez um apelo: ' Quem quer receb-lo ? somente dizer: ' Quero '. Cerca de cinqenta dos que estavam em p e encostado s paredes, responderam: ' Quero ', mas nenhum dos que estavam sentados. Um homem exclamou: ' No posso '. Moody ento replicou: ' Falou bem e com razo, amigo; foi bom ter falado. Escute e depois poder dizer: ' Eu posso '. Moody ento explicou o sentido da palavra crer e fez o segundo apelo: ' Quem dir: Quero crer nele ? ' De novo alguns dos homens que estavam em p responderam, aceitando, mas um dos chefes dirigente dum clube, bradou: ' Eu no quero ! ' Moody, vencido pela ternura e compaixo, respondeu com voz quebrantada: ' Todos os homens que esto aqui esta noite tm de dizer: Eu quero ou Eu no quero ' ".

" Ento, levou todos a considerarem a histria do Filho Prdigo, dizendo: ' A batalha sobre o querer - s sobre o querer. Quando o Filho Prdigo disse: Levantar-me-ei a luta foi ganha, porque alcanara o domnio sobre a sua prpria vontade. com referncia a este ponto que depende de tudo hoje. Senhores, tendes a em vosso meio o vosso campeo, o amigo que disse: Eu no quero. Desejo que todos aqui, que acreditam que esse campeo tem razo, levantem-se e sigam o seu exemplo, dizendo: Eu no quero '. Todos ficaram quietos e houve silncio at que, por fim, Moody interrompeu, dizendo: ' Graas a Deus ! Ningum disse: Eu no quero. Agora quem dir: Eu quero ? Instantaneamente parece que o Esprito Santo tomou conta do grande auditrio de inimigos de Jesus Cristo, e cerca de quinhentos homens puseram-se de p, as lgrimas rolando pelas faces e gritando: ' Eu quero ! Eu quero ! ' Clamando at que todo o ambiente se transformou. A batalha foi ganha " .

" O culto terminou sem demora, para que se comeasse a obra entre aqueles que estavam desejosos de salvao. Em oito dias, cerca de dois mil foram transferidos das fileiras do inimigo para o exrcito do Senhor, pela rendio da vontade. Os anos que se seguiram provaram a firmeza da obra, pois os clubes nunca mais se ergueram. Deus, na sua misericrdia e poder, os aniquilou por seu Evangelho " .

Um total de quinhentas mil preciosas almas ganhas para Cristo, o clculo da colheita que Deus fez por intermdio de seu humilde servo, Dwight Lyman Moody . R. A. Torrey, que o conheceu intimamente, considerava-o, com razo, o maior homem do sculo XIX, isto , o homem mais usado por Deus para ganhar almas.

Que ningum julgue, contudo, que D. L. Moody era grande em si mesmo ou que tinha oportunidades que os demais no tm. Seus antepassados eram apenas lavradores que viveram por sete geraes, ou duzentos anos, no vale do Connecticut, nos Estados Unidos. Dwight nasceu a 5 de fevereiro de 1837, de pais pobres, o sexto entre nove filhos. Quando era ainda pequeno, seu pai faleceu e os credores tomaram conta do que ficou, deixando a famlia destituda de tudo, at da lenha para aquecer a casa em tempo de intenso frio.

No h histria que comova e inspire tanto quanto a daqueles anos de luta da viva, me de Dwight. Poucos meses depois da morte de seu marido, nasceram-lhe gmeos e o filho mais velho tinha apenas doze anos. O conselho de todos os parentes foi que ela entregasse os filhos para outros criarem. Mas com invencvel coragem e santa dedicao a seus filhos, ela conseguiu criar todos os nove filhos no prprio lar. Guarda-se ainda, como tesouro precioso, sua Bblia com as palavras de Jeremias 49: 11 sublinhadas: " Deixa os teus rfos, eu os conservarei em vida; e confiem em mim tuas vivas ".

- " Pode-se esperar outra coisa a no ser que os filhos ficassem ligados me e que crescessem para se tornarem homens e mulheres que conhecessem o mesmo Deus que ela conhecia ? " - Assim se expressou Dwight, ao lado do atade quando ela faleceu com a idade de noventa anos: - " Se posso conter-me, quero dizer algumas palavras. grande honra ser filho de uma me como ela. J viajei muito, mas nunca encontrei algum como ela. Ligava a si seus filhos de tal maneira que representava um grande sacrifcio para qualquer deles afastar-se do lar. Durante o primeiro ano depois que o meu pai faleceu, ela adormecia todas as noites chorando. Contudo, estava sempre alegre e animada na presena dos filhos. As saudades serviam para cheg-la mais perto de Deus. Muitas vezes eu me acordava e ela estava orando, s vezes, chorando. No posso expressar a metade do que desejo dizer. Aquele rosto, como querido! Durante cinqenta anos no senti gozo maior do que o gozo de voltar a casa. Quando estava ainda a setenta e cinco quilmetros de distncia, j me sentia to inquieto e desejoso de chegar que me levantava do assento para passear pelo carro at o trem chegar estao....Se chegava depois de anoitecer, sempre olhava para ver a luz na janela da minha me. Senti-me to feliz esta vez por chegar a tempo de ela ainda me reconhecer ! Perguntei-lhe: - ' Me, me reconhece ? Ela respondeu: - ' Ora, se eu te reconheo ! ' Aqui est a sua Bblia, assim gasta, porque a Bblia do lar; tudo que ela tinha de bom veio deste Livro e foi dele que nos ensinou. Se minha me foi uma bno para o mundo porque bebia desta fonte. A luz da viva brilhou do outeiro durante cinqenta anos. Que Deus a abenoe, me; ainda a amamos ! Adeus, por um pouco, me ! "

Todos os filhos da viva Moody assistiam aos cultos nos domingos; levavam merenda para passar o dia inteiro na igreja. Tinham de ouvir dois prolongados sermes e, no intervalo, assistir Escola Dominical. Dwight, depois de trabalhar a semana inteira, achava que sua me exigia demais obrigando-o a assistir aos sermes, os quais no compreendia. Mas, por fim, chegou a ser agradecido a essa boa me pela dedicao nesse sentido.

Com a idade de dezessete anos, Moody saiu de casa para trabalhar na cidade de Boston, onde achou emprego na sapataria de um tio seu. Continuou a assistir aos cultos, mas ainda no era salvo.

Notai bem, os que vos dedicais obra de ganhar almas: no foi num culto que Dwight Moody foi levado ao Salvador. Seu professor da Escola Dominical, Eduardo Kimball, conta:

" Resolvi falar-lhe acerca de Cristo e de sua alma. Vacilei um pouco em entrar na sapataria, no queria embaraar o moo durante as horas de servio. Por fim, entrei, resolvido a falar sem mais demora. Achei Moody nos fundos da loja, embrulhando calados. Aproximei-me logo dele e, colocando a mo sobre seu ombro, fiz o que depois parecia ser um apelo fraco, um convite para aceitar a Cristo. No me lembro do que eu disse, nem mesmo Moody podia lembrar-se alguns anos depois. Simplesmente falei do amor de Cristo para com ele, e o amor que Cristo esperava dele, de volta. Parecia-me que o moo estava pronto para receber a luz que o iluminou naquele momento e, l nos fundos da sapataria, entregou-se a Cristo ".

Era costume das igrejas daquela poca, alugarem os assentos. Moody, logo depois da sua converso, transbordando de amor para com o seu Salvador, pagou aluguel de um banco, percorrendo as ruas, hotis e casas de penso solicitando homens e meninos para ench-lo em todos os cultos. Depois alugou mais um, depois outro, at conseguir encher quatro bancos, todos os domingos. Mas isso no era suficiente para satisfazer o amor que sentia para com os perdidos. Certo domingo visitou uma Escola Dominical em outra rua. Pediu permisso para ensinar tambm uma classe. O dirigente respondeu: " H doze professores e dezesseis alunos, porm o senhor pode ensinar todos os alunos que conseguir trazer escola " . Foi grande a surpresa de todos quando Moody, no domingo seguinte, entrou com dezoito meninos da rua, sem chapu, descalos e de roupa suja e esfarrapada, mas, como ele disse: " Todos com uma alma para ser salva ". Continuou a levar cada vez mais alunos Escola at que, alguns domingos depois, no prdio no cabiam mais; ento resolveu abrir outra escola em outra parte da cidade. Moody no ensinava, mas arranjava professores, providenciava o pagamento do aluguel e de outras despesas. Em poucos meses essa escola veio a ser a maior da cidade de Chicago. No julgando conveniente pagar outros para trabalhar no domingo, Moody, cedo, pela manh, tirava as pipas de cerveja ( outros ocupavam o prdio durante a semana ) , varria e preparava tudo para o funcionamento da escola. Depois, ento, saa par convidar alunos. s duas horas, quando voltava de fazer os convites, achava o prdio repleto de alunos.

Depois de findar a escola, ele visitava os ausentes e convidava todos para estarem a pregao, noite. No apelo, aps o sermo, todos os interessados era convidados a ficar para um culto especial, no qual tratavam individualmente com todos. Moody tambm participava nessa colheita de almas.

Antes de findar o ano, 600 alunos, em mdia, assistiam Escola Dominical, divididos em 80 classes. A seguir a assistncia subia a 1.000 e, as s vezes, a 1.500.

Ao mesmo tempo que Moody se aplicava Escola Dominical com tais resultados, esforava-se, tambm, no comrcio todos os dias. O grande alvo da sua vida era vir a ser um dos principais comerciantes do mundo, um multimilionrio. No tinha mais de 23 anos j tinha ajuntado 7.000 dlares ! Mas seu Salvador tinha um plano ainda mais nobre para seu servo.

Certo dia, um dos professores da Escola Dominical entrou na sapataria onde Moody negociava. Informou-o de que estava tuberculoso e que, desenganado pelos mdicos, resolvera voltar para Nova Iorque e aguardar a morte. Confessou-se muito perturbado, no porque tinha de morrer, mas porque at ento no conseguira levar ao Salvador nenhuma das moas da sua classe da Escola Dominical. Moody, profundamente comovido, sugeriu que visitassem juntos as moas em suas casas, uma por uma. Visitaram uma, o professor falou-lhe seriamente acerca da salvao da sua alma. A moa deixou seu esprito leviano e comeou a chorar, entregando-se ao seu Salvador. Todas as outras moas que foram visitadas naquele dia fizeram o mesmo.

Passados dez dias, o professor foi novamente sapataria. Com grande gozo informou a Moody que todas as moas se havia entregado a Cristo. Resolveram ento convidar todas para um culto de orao e despedida na vspera da partida do professor para Nova Iorque. Todos se ajoelharam e Moody, depois de fazer uma orao, estava para se levantar quando uma das moas comeou, tambm, a orar. Todos oraram suplicando a Deus em favor do professor. Ao sair Moody suplicou: " Deus, permite-me morrer antes de perder a bno que recebi hoje aqui ! "

Moody, mais tarde, confessou: " Eu no sabia o preo que tinha de pagar, como resultado de haver participado na evangelizao individual das moas. Perdi todo o jeito de negociar; no tinha mais interesse no comrcio. Experimentara um outro mundo e no mais queria ganhar dinheiro...Oh ! delcia, a de levar uma alma das trevas desde mundo gloriosa luz e liberdade do Evangelho ! "

Ento, no muito depois de casar-se, com a idade de vinte e quatro anos, Moody deixou um bom emprego com salrio de cinco mil dlares por ano, um salrio fabuloso naquele tempo, para trabalhar todos os dias no servio de Cristo, sem ter promessa de receber um nico cntimo. Depois de tomar essa resoluo, apressou-se em ir firma B. F. Jacobs & Cia. , onde, muito comovido, anunciou: - " J resolvi empregar todo o meu tempo no servio de Deus ! " - " Como vai manter-se ? " - " Ora, Deus me suprir de tudo se Ele quiser que eu continue; e continuarei at ser obrigado a desistir ".

A parte da biografia de D. L. Moody que trata dos primeiros anos do seu ministrio est repleta de proezas feitas na carne. Mencionamos aqui apenas uma, isto , o fato de Moody fazer 200 visitas em um s dia. Ele mesmo mais tarde se referia queles anos como uma manifestao do " zelo de Deus, mas sem entendimento ", acrescentando: " H, contudo muito mais esperana para o homem com zelo e sem entendimento do que para o homem de entendimento sem zelo " .

Rompeu a tremenda Guerra Civil e Moody chegou com os primeiros soldados ao acampamento militar onde armou uma grande tenda para os cultos. Depois ajuntou dinheiro e levantou um templo onde dirigiu 1.500 cultos durante a guerra. Uma pessoa que o conhecia assim comentou sua ao: " Moody precisava estar constantemente em todos os lugares, dia e noite, nos domingos e todos os dias da semana; orando, exortando, tratando com os soldados acerca das suas almas, regozijando-se nas oportunidades abundantes de trabalhar no grande fruto ao seu alcance por causa da guerra ".

Depois de findar a guerra, dirigiu uma campanha para levantar em Chicago um prdio para os cultos, com capacidade para trs mil pessoas. Quando, mais tarde esse edifcio foi destrudo por um incndio, ele e dois outros iniciaram outra campanha, antes de os escombros haverem esfriados, para levantar novo edifcio. Trata-se do Farwell Hall II, que se tornou um grande centro religioso em Chicago. O segredo desse xito foram os cultos de orao que se realizavam diariamente, ao meio-dia, precedidos por uma hora de orao de Moody, escondido no vo debaixo da escada .

No meio desses grandes esforos, Moody resolveu, inesperadamente, fazer uma visita Inglaterra.

Em Londres, antes de tudo, foi ouvir Spurgeon pregar no Metropolitan Tabernacle. J tinha lido muito do que " o prncipe dos pregadores "escrevera, mas ali pde verificar que a grande obra no era de Spurgeon, mas de Deus, e saiu de l com uma outra viso.

Visitou Jorge Mller e o orfanato em Bristol. Desde aquele tempo a Autobiografia de Mller exerceu tanta influncia sobre ele como j o tinha feito " O Peregrino ", de Bunyan.

Entretanto, nessa viagem, o que levou Moody a buscar definitivamente uma experincia mais profunda com Cristo, foram estas palavras proferidas por um grande ganhador de almas de Dubim, Henrique Varley: " O mundo ainda no viu o que Deus far com, para, e pelo homem inteiramente a Ele entregue ". Moody disse consigo mesmo: " Ele no disse por um grande homem, nem por um sbio, nem por um rico, nem por um eloqente, nem por um inteligente, mas simplesmente por um homem. Eu sou um homem, e cabe ao homem mesmo resolver se deseja ou no consagrar-se assim. Estou resolvido a fazer todo o possvel para ser esse homem " . Apesar de tudo isso, Moody, depois de voltar Amrica, continuava a se esforar e a empregar mtodos naturais. Foi nessa poca que a cidade de Chicago foi reduzida a cinzas no pavoroso incndio de 1871.

Na noite do incio do pavoroso incndio, Moody pregou sobre este tema: - " Que farei, ento de Jesus, chamado Cristo ? Ao concluir ser sermo, ele disse ao auditrio, o maior a que pregara em Chicago: " Quero que leveis esse texto para casa e nele meditais bem durante a semana e no domingo vindouro iremos ao Calvrio e cruz e resolveremos o que faremos de Jesus de Nazar " .

- " Como errei ! " Disse Moody, depois. - " No me atrevo mais a conceder uma semana de prazo ao perdido para decidir sobre a salvao. Se se perderem sero capazes de se levantar contra mim no juzo. Lembro-me bem de como Sankey cantou e como sua voz soou quando chegou a estrofe de apelo: " O Salvador chama para o refgio. Rompe a tempestade e breve vem a morte " .

" Nunca mais vi aquele auditrio. Ainda hoje desejo chorar...Prefiro ter a mo direita decepada, a conceder ao auditrio uma semana para decidir o que far de Jesus. Muitos me censuram dizendo: - " Moody, o senhor quer que o povo se decida imediatamente. Por que no lhe d tempo para consultar ? "

" Tenho pedido a Deus muitas vezes que me perdoe por ter dito naquela noite que podiam passar oito dias para considerar, e se Ele poupar minha vida no farei de novo ".

O grande incndio rugiu e ameaou durante quatro dias; consumindo Farwell Hall, o templo de Moody e a sua prpria residncia. Os membros da igreja foram todos dispersos. Moody reconheceu que a mo de Deus o castigara para o ensinar, e isso tornou-se para ele motivo de grande regozijo.

Foi a Nova Iorque, a fim de granjear dinheiro para os flagelados do grande incndio. Acerca do que se passou, ele mesmo escreveu: " No sentia o desejo no corao de solicitar dinheiro. Todo o tempo eu clamava a Deus pedindo que me enchesse do seu Esprito. Ento, certo dia, na cidade de Nova Iorque - Ah ! que dia ! No posso descrev-lo, nem quero falar no assunto; experincia quase sagrada demais para ser mencionada. O apstolo Paulo teve uma experincia acerca da qual no falou por catorze anos. Posso apenas dizer que Deus se revelou a mim e tive uma experincia to grande do seu amor que tive de rogar-lhe que retirasse de mim sua mo. No quero voltar para viver de novo como vivi outrora nem que eu pudesse possuir o mundo inteiro " .

Acerca dessa experincia, um de seus bigrafos acrescentou: " O Moody que andava na rua parecia outro. Nunca jamais bebera mosto, mas ento conhecia a diferena entre o jbilo que Deus d e o falso jbilo de Satans. Enquanto andava, parecia-lhe que um p dizia a cada passo, ' Glria ! ' e o outro respondia, ' Aleluia ! '. O pregador rompeu em soluos, balbuciando: ' Deus, constrange-nos andar perto de ti para todo o sempre ' ".

O Senhor supriu dinheiro para Moody construir um edifcio provisrio para realizar os cultos em Chicago. Era de madeira rstica, forrada de papel grosso para evitar o frio; o teto era sustentado por fileiras de estacas colocadas no centro. Nessa templo provisrio realizaram-se os cultos durante trs anos, no meio dum deserto de cinzas. A maior parte do trabalho de construo fora feita pelos membros que moravam em ranchos ou mesmos em lugares escavados por debaixo das caladas das ruas. Ao primeiro culto assistiram mais de mil crianas com seus respectivos pais !

Esse templo provisrio serviu de morada para Moody e Sankey, seu evangelista-cantor; eram to pobres como os outros em redor, mas to cheios de esperana e gozo que conseguiram levar muitos a Cristo e se tornaram ricos, apesar de nada possurem. Onda aps onda de avivamento passou sobre o povo. Os cultos continuavam dia e noite, quase sem cessar, durante alguns meses. Multides choravam seus pecados, s vezes dias inteiros e no dia seguinte, perdoados, clamavam e louvavam em gratido a Deus. Homens e mulheres at ento desanimados participavam do gozo transbordante de Moody, transformado pelo batismo com o Esprito Santo.

No muito depois de haver construdo o templo permanente ( com assentos para 2.000 pessoas - e sem endividar-se ), Moody fez a sua segunda viagem Inglaterra. Nos seus primeiros cultos nesse pas, encontrou igrejas frias, com pouca assistncia e o povo sem interesse nas suas mensagens. Mas a uno do Esprito, que Moody recebera nas ruas de Nova Iorque, ainda permanecia na sua alma e Deus o usou como seu instrumento para um avivamento mundial .

No desejava mtodos sensacionais, mas usou os mesmos mtodos humildes at o fim da vida: sermo dirigido direto aos ouvintes; aplicao prtica da mensagem do Evangelho necessidade individual; solos cantados sob a uno do Esprito; apelo para que o perdido se entregasse imediatamente; uma sala no lado aonde levava os que se achavam em " dificuldades " em aceitar a Cristo; a obra que depois os salvos faziam entre os " interessados " e recm-convertidos; diariamente uma hora de orao ao meio-dia, e cultos que duravam dias inteiros.

Na Inglaterra, as cidades de York, Senderland, Bishop, Auckland, Carlisle e Newcastle foram vivificadas como nos dias de Whitefield e Wesley. Na Esccia, em Edimburgh, os cultos se realizaram no maior edifcio e " a cidade inteira ficou comovida ". Em Glasgow, a obra comeou com uma reunio de professores da Escola Dominical, a que assistiram mais de 3.000 . O culto de noite foi anunciado para s 6:30, mas muito antes da hora marcada, o grande edifcio ficou repleto e a multido que no pde entrar foi levado para as quatro igrejas mais prximas. Essa srie de cultos transformou radicalmente a vida diria do povo. Na ltima noite Sankey cantou para 7.000 pessoas que estavam dentro do edifcio, e Moody, sem poder entrar no auditrio, subiu numa carruagem e pregou a 20 mil pessoas que se achavam congregadas do lado de fora. O coral cantou os hinos de cima dum galpo. Em um s dia mais de 2.000 pessoas responderam ao apelo para se entregarem definitivamente a Cristo.

Na Irlanda, Moody pregou nos maiores centros com os mesmos resultados, como na Inglaterra e Esccia. Os cultos em Belfast continuaram durante quarenta dias. O ltimo culto foi reservado para os recm-convertidos, que s podiam ter ingresso por meio de bilhetes, concedidos gratuitamente. Assistiram 2.300 pessoas. Belfast fora o centro de vrios avivamentos, mas todos concordam em que nunca houvera um avivamento antes desse, de resultados to permanentes.

Depois da campanha na Irlanda, Moody e Sankey voltaram Inglaterra e dirigiram cultos inesquecveis em Shefield, Manchester, Birgmingham e Liverpool. Durante muitos meses, os maiores edifcios dessas cidades ficaram superlotados de multides desejosas de ouvirem a apresentao clara e ousada do Evangelho por um homem livre de todo o interesse e ostentao. O poder do Esprito se manifestou em todos os cultos produzindo resultados que permanecem at hoje.

O itinerrio de Moody e Sankey na Europa, findou-se aps quatro meses de cultos em Londres. Moody pregava alternadamente em quatro centros. Os seguintes algarismos nos servem para compreender algo da grandeza dessa obra durante os quatro meses: Realizaram-se 60 cultos em Agricultural Hall, aos quais um total de 720.000 pessoas assistiram; em Bow Road Hall, 60 cultos, aos quais 600.000 pessoas assistiram; em Camberwell Hall, 60 cultos, com assistncia de 480.000; Haymarket Opera House, 60 cultos, 330.000; Vitria Hall, 45 cultos, 400.000 assistentes.

Quando Moody saiu dos Estados Unidos em 1873, era conhecido apenas em alguns Estados e tinha fama, apenas como obreiro da Escola Dominical e da Associao Crist de Moos. Mas quando voltou da campanha na Inglaterra em 1875, era conhecido como o mais famoso pregador do mundo. Contudo continuou o mesmo humilde servo de Deus. Foi assim que uma pessoa que o conhecia intimamente descreveu sua personalidade: " Creio que era a pessoa mais humilde que jamais conheci...Ele no fingia humildade. No ntimo do seu corao rebaixava-se a si mesmo e superestimava os outros. Ele engrandecia outros homens, e, sempre que possvel arranjava para que eles pregassem. Fazia tudo para no aparecer ".

Ao chegar novamente aos Estados Unidos, Moody recebeu convites, para pregar, de todas as partes do Pas. Sua primeira campanha (em Brooklyn ) foi um modelo para todas as outras. As denominaes cooperavam; alugaram um prdio que comportava 3.000 pessoas. O resultado foi uma grande e permanente obra.

Nas suas campanhas havia ocasies que eram realmente dramticas. Em Chicago, o Circo Forepaugh, com uma tenda de lona que tinha assentos para 10.000 pessoas e lugares para outras 10.000 em p, anunciou representaes para dois domingos. Moody alugou a tenda para os cultos de manh, os donos resolveram no fazer sesso no segundo domingo. Entretanto, o culto realizou-se sob a lona no segundo domingo, o calor era tanto que dava a impresso de matar a todos, porm 18.000 pessoas ficaram em p, banhados em suor e esquecidos do calor. No silncio que reinava durante a pregao de Moody, o poder desceu e centenas foram salvos.

O doutor Dale disse: " Acerca do poder de Moody, acho difcil falar. to real e ao mesmo tempo to diferente do poder dos demais pregadores, que no sei descrev-lo. Sua realidade inegvel. Um homem que pode cativar o interesse de um auditrio de trs a seis mil pessoas, por meia hora, de manh, por quarenta minutos, de novo, ao meio-dia e de um terceiro auditrio, de 13 a 15 mil, durante quarenta minutos, noite, deve ter um poder extraordinrio ".

Acerca desse poder maravilhoso, Torrey testificou: " Vrias vezes tenho ouvido diversas pessoas dizerem que viajaram grandes distancias para ver e ouvir D.L. Moody, e que ele, de fato, um maravilhoso pregador. Sim, ele era em verdade o mais maravilhoso que eu jamais ouvi; era grande o privilgio de ouvi-lo pregar, como s ele sabia pregar. Contudo, conhecendo-o intimamente, quero testificar que Moody era maior como intercessor do que como pregador. Enfrentando obstculos aparentemente invencveis, ele sabia vencer todas as dificuldades. Sabia, e cria no mais profundo de sua alma, que no havia nada demasiadamente difcil para Deus fazer, e que a orao podia conseguir tudo que Deus pudesse realizar ".

Apesar de Moody no ter instruo acadmica, reconhecia o grande valor da educao e sempre aconselhava a mocidade a se preparar para manejar bem a Palavra de Deus. Reconhecia a grande vantagem da instruo tambm para os que pregam no poder do Esprito Santo. Ainda existem trs grandes monumentos s suas convices nesse ponto - as trs escolas que& ele fundou: O Instituto Bblico em Chicago, com 38 prdios e 16.000 matriculados nas aulas diurnas, noturnas e Cursos por Correspondncia; o Northfield Seminrio, com 490 alunos, e a Escola do Monte Hermon, com 500 alunos.

Entretanto, ningum se engane como alguns desses alunos e como diversos crentes entre ns, pensando que o grande poder de Moody era mais intelectual do que espiritual. Nesse ponto ele mesmo falava com nfase: para maior clareza, citamos o seguinte de seus " Short Talks " : " No conheo coisa mais importante que a Amrica precise do que de homens e mulheres inflamados como o fogo do Cu; nunca encontrei um homem ( ou mulher ) inflamado com o Esprito de Deus que fracassasse. Creio que isso seja impossvel; tais pessoas nunca se sentem desanimadas. Avanam mais e mais e se animam mais e mais. Amados, se no tendes essa iluminao, resolvei adquiri-la, e orai: ' Deus ilumina-me com o teu Esprito Santo ' ! "

No que R. A. Torrey escreveu aparece o esprito dessas escolas que fundou:

" Moody costuma escrever-me antes de iniciar uma nova campanha, dizendo: ' Pretendo dar incio ao trabalho no lugar tal e em tal dia; peo-lhe que convoque os estudantes para um dia de jejum e orao '. Eu lia essas cartas aos estudantes e lhes dizia: Moody deseja que tenhamos um dia de jejum e orao para pedir, primeiramente, as bnos divinas sobre nossas prprias almas e nosso trabalho ! Muitas vezes ficvamos ali na sala das aulas at alta noite - ou mesmo at a madrugada - clamando a Deus, porque Moody nos exortava a esperar at que recebssemos a bno ".

" At o dia da minha morte no poderei esquecer-me de 8 de julho de 1894. Era o ltimo dia da Assemblia dos Estudantes de Northfield...s 15 horas reunimo-nos em frente casa da progenitora de Moody....Havia 456 pessoas em nossa companhia....Depois de andarmos alguns minutos, Moody achou que podamos parar. Ns nos sentamos nos troncos de rvores cadas, em pedras, ou no cho. Moody ento franqueou a palavra, dando licena para qualquer estudante expressar-se. Uns 75 deles, um aps outro, levantaram-se, dizendo: ' Eu no pude esperar at s 15 horas, mas tenho estado sozinho com Deus desde o culto de manh e creio que posso dizer que recebi o batismo com o Esprito Santo '. Ouvindo o testemunho desses jovens, Moody sugeriu o seguinte: ' Moos, por que no podemos ajoelhar-nos aqui, agora, e pedir que Deus manifeste em ns o poder do seu Esprito de um modo especial, como fez aos apstolos no dia de Pentecostes ? ' E ali na montanha oramos ".

" Na subida, tnhamos notado como se iam acumulando nuvens pesadas; no momento em que comeamos a orar, principiou a chuva a cair sobre os grandes pinheiros e sobre ns. Porm houve uma outra qualidade de nuvem que h dez dias estava se acumulando sobre a cidade de Northfield - uma nuvem cheia da misericrdia, da graa e do poder divino, de sorte que naquela hora parecia que nossas oraes bombardeavam essas nuvens, fazendo descer sobre ns, em grande poder, a virtude do Esprito Santo ".

Que Moody mesmo era um estudante incansvel, v-se no seguinte:

" Todos os dias da sua vida, at o fim, segundo creio, ele se levantava muito cedo de manh para meditar na Palavra de Deus. Costumava deixar sua cama s quatro horas da madrugada, mais ou menos, para estudar a Bblia. Um dia ele me disse: ' Para estudar, preciso me levantar antes que as outras pessoas acordem '. Ele se fechava num quarto afastado do resto da famlia, sozinho com a sua Bblia e com o seu Deus..."

" Pode-se falar em poder, porm, ai do homem que negligenciar o nico Livro dado por Deus, que serve de instrumento, por meio do qual Ele d e exercer seu poder. Um homem pode ler inmeros livros e assistir a grandes convenes; pode promover reunies de orao que durem noites inteiras, suplicando o poder do Esprito Santo, mas se tal homem no permanecer em contato ntimo e constante com o nico Livro, a Bblia, no lhe ser concedido o poder. Se j tem alguma fora no conseguir mant-la, seno pelo estudo dirio, srio e intenso desse Livro ".

Tudo no mundo tem de findar; chegou o tempo tambm para D. L. Moody findar o seu ministrio aqui na terra. Em 16 de novembro de 1899, no meio de sua campanha em Kansas City, com auditrios de 15.000 pessoas, pregou seu ltimo sermo. provvel que soubesse que seria o ltimo: certo que seu apelo era ungido como poder vindo do Alto e centenas de almas foram ganhas para Cristo.

Para a nao, a sexta-feira, 22 de dezembro de 1899, foi o dia mais curto do ano, mas para D.L. Moody, foi o dia que clareou, foi o comeo do dia que nunca findar. s seis horas da manh dormiu um ligeiro sono. Ento os seus queridos ouviram-no dizer em voz clara: " Se isto a morte, no h nenhum vale. Isto glorioso. Entrei pelas portas e vi as crianas! ( Dois de seus netos que j tinham falecidos ). A terra recua; o cu se abre perante mim. Deus est me chamando ! " Ento virou-se para a sua esposa, a quem ele queria mais do que a todas as pessoas, a no ser Cristo, e disse: " Tu tens sido para mim uma boa pessoa ".

No singelo culto fnebre, Torrey, Scofield, Sankey e outros falaram grande multido comovida que assistiu. Depois o atade foi levado pelos alunos da Escola Bblica de Monte Hermom a um lugar alto que ficava prximo, chamado " Round Top ". Trs anos depois, a fiel serva de Deus, Ema Moody, sua esposa, tambm dormiu em Cristo e foi enterrada ao lado do marido, no mesmo alto, onde permanecero at o glorioso dia da ressurreio.

Contemplemos de novo, por um momento, a vida extraordinria desse grande ganhador de almas. Quando o jovem Moody chorava sob o poder do Alto na pregao do jovem Spurgeon, foi inspirado a exclamar: " Se Deus pode usar Spurgeon, Ele me pode usar tambm ". A biografia de Moody a histria de como ele vivia completamente submisso a Deus, para esse fim . R.A. Torrey disse: " O primeiro fator por cujo motivo Moody foi instrumento to til nas mos de Deus que ele era um homem inteiramente submisso vontade divina. Cada grama daquele corpo de 127 quilos pertencia ao Senhor; tudo que ele era e tudo que tinha pertencia inteiramente a Deus...Se ns, tu e eu, leitor, queremos ser usados por Deus, temos de nos submeter a Ele absolutamente e sem reservas ".

Leitor, resolve agora, com a mesma determinao e pelo auxlio divino: "Se Deus podia usar Dhight Lyman Moody, Ele me pode usar tambm!"

Que assim seja! Amm!

Aproveite cada minuto de sua vida, pois o tempo no volta, o que volta a vontade de voltar o tempo.

desconhecido

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