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História da Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB)

A Missão Novas Tribos do Brasil, foi fundada em 1953, é uma agência missionária de fé, de caráter indenominacional e cujo objetivo é alcançar grupos minoritários com o Evangelho de Cristo, e prestar assistência "integral" nas áreas de saúde, educação e desenvolvimento comunitário.

A revista BROWN GOLD de setembro 1944 pediu que os leitores orassem por Clyde Collins e Wally Wright numa viagem de sondagem muito perigosa, iniciada em 0l de agosto de 1944, esperando estabelecer em San Matias um novo centro de evangelização. San Matias era uma cidade pequena na divisa do Brasil com Bolívia. Os primeiros missionários da Missão Novas Tribos que foram à Bolívia viram as grandes necessidades desta região. Wally escreveu: "San Matias está localizada estrategicamente na divisa dos dois países, e nós esperamos que seja, futuramente, a porta para a entrada no Estado de Mato Grosso, no Brasil. No interior deste Estado encontra-se uma terra inexplorada, uma das mais selvagens do mundo, habitada por tribos indígenas, ainda não tocadas por outra civilização. Nosso primeiro objetivo é alcançar novas tribos. Até agora nosso esforço concentrou-se numa só tribo. Está na hora de alcançar outras e provar a fidelidade de Deus"
Depois desta sondagem Clyde Collins levou consigo a firme convicção de que Deus o queria trabalhando entre as tribos do Brasil. Nesta viagem Clyde e Wally ganharam 55 almas para Cristo. Nas conferências do Campo boliviano em 1946, Clyde compartilhou sua convicção a Paul Fleming.
Após a sondagem de 1944, Wally e Clyde fizeram outra viagem em 1945 com Tom Lindores da União Missionária Neo-Testamentária. Partiram de Corumbá para Jarundore, Mato Grosso, onde encontraram as primeiras aldeias dos Bororó; depois, embarcando numa canoa, desceram o rio com destino a Rondonópolis.
Quando estavam em Rondonópolis, fizeram duas visitas a Paboré, a aldeia indígena mais próxima, distante uns nove quilômetros. Tiveram muitas oportunidades para proclamarem o Evangelho e sondar a região. Paul Fleming sempre quis que a Missão alcançasse mais tribos e estava convicto de que se Clyde e Julianne Collins abrissem um trabalho no Brasil, precisariam de colaboradores.
Enquanto prosseguiam as conferências na Bolívia em 1946, Lyle Sharp e família viajavam ao Brasil a bordo do SS Del Aires, um cargueiro que levava doze passageiros. Eles foram os primeiros missionários da Missão Novas Tribos a receberem vistos brasileiros. Na sua volta aos E U A, Paul Fleming parou nas Ilhas Virgens onde o navio fazia uma escala. Ele pediu aos Sharp que orassem sobre a possibilidade de irem a Mato Grosso para trabalharem com a família Collins visto que já havia missionários de outras organizações trabalhando na região de Cuiabá onde os Sharp planejaram se estabelecer. Diante disso, os Sharp mudaram de direção indo com os Collins para trabalharem na fronteira do Brasil com a Bolívia. Em novembro de 1946, as duas famílias já residiam em Guayaramerim no lado boliviano. Em março de 1947, os Sharp conseguiram alugar uma casa em Guajará Mirim, no lado brasileiro. Clyde Collins e Lyle Sharp visitaram o governador, Rondon, e contaram-lhe seus planos visando a possibilidade de um trabalho entre os índios da região. Rondon respondeu favoravelmente: "É bem isto que estas tribos precisam: de uma igreja e escola dominical". E deu permissão verbal para abrirem o trabalho.
Com estas palavras animadoras soando nos seus ouvidos, Clyde e Lyle fizeram um contato com os índios Macurapi. A tribo mostrou-se amiga e pediu a chegada de missionários. As duas famílias planejaram entrar no trabalho logo que conseguissem permissão escrita. Os Collins, porém, saíram de férias e não retornaram.
Durante os três anos seguintes, os Sharp ficaram sozinhos na região de Guajará-Mirim trabalhando em sondagens. Não poderiam abrir o trabalho Macurapi até que chegasse outro colaborador. Enquanto esperavam construíram a casa da Missão, de adobe, coberta de telha, que está em uso até hoje. Aos poucos, os missionários da NTM foram entrando no Brasil.
Olga Dorozowski chegou a Belém em dezembro 1946, porém morreu afogada no Rio Araguia, em setembro de 1950, enquanto estudava a língua Karajá. Carl Taylor com sua família chegam a Belém em setembro de 1949. Em novembro de 1949 chegaram: Byron e Jeanne Russell, Mary Jean Bowman, Ruth Halk, Rudy Ficek e William Neufeld. Todos estes mergulharam no estudo da língua portuguesa.
Em janeiro de 1950, Otto e Dreda Austel e Adalberto e Madalena Denelsbeck chegaram a Goiânia. Em fevereiro de 1950, Byron e Jeanne Russell foram ao Oiapoque - Amapá e mais tarde Abraão Koop e outros começaram o trabalho do contato com os Pacaas Novos, em Rondônia..
Em abril de 1950, a família Taylor tinha mudado para Goiânia, e Carl Taylor foi nomeado representante do Campo. O Conselho do Campo já tinha sido nomeado em Belém com os seguintes membros: Bryan Williams. George Blanchette, William Neufeld e Wayne Deason.
Em 1953, a Missão foi registrada como pessoa jurídica, em Goiânia. Em maio de 1955, Ralph Hovland chegou ao Brasil e foi nomeado presidente do Campo (ou representante). Pela constituição, a sede da Missão era em Vianópolis, Goiás. Portanto, Ralph Hovland mudou-se para lá e a partir daí a sede realmente funcionou em Vianópolis.
No mesmo ano a Missão dividiu o Brasil em dois campos: o Leste e o Oeste. Este arranjo facilitou a administração dos muitos trabalhos através do vasto território nacional.
Joe Moreno viajou muito pelo Brasil de junho de 1950 a junho de 1951 fazendo sondagens numa grande área do sudoeste do Estado do Amazonas. Conseguiu um contato amistoso com uma tribo indígena perto de Cruzeiro do Sul, no Território do Acre.
Na primavera de 1950, Paul Fleming fez algumas viagens à Bolívia e ao Brasil, visitando os missionários e fazendo contatos com autoridades civis. Em abril, ele escreveu: “Tem sido surpreendente a maneira que o Senhor está abrindo as portas das regiões indígenas do Brasil.”
Provavelmente, não há nenhum outro país que tenha tantas tribos não evangelizadas, e é chocante ver tão pouco trabalho missionário sendo feito entre elas. Há barreiras, mas certamente Deus teria aberto a porta se alguém realmente procurasse entrar. Creio que simplesmente faltou-nos a determinação espiritual, a coragem de crermos e agirmos. Hoje a Missão Novas Tribos enfrenta um desafio como nunca. Que não voltemos atrás. Fiquei atônito em ver a cooperação que o governo nos oferece.
Sempre alerta para falar dos índios, Paul Fleming encontrou um crente brasileiro, por nome Carlos, em Miami. Este jovem sugeriu que Paul procurasse o Sr. Assis Chateaubriand, homem influente no País e interessado nos índios. Por meio do pai do Carlos, Paul conseguiu uma entrevista com o Sr. Chateaubriand e escreveu: “Apesar de estar muito ocupado, ele tomou tempo para ouvir-me e olhar fotografias de índios. Ficou bem entusiasmado com o trabalho que nós queremos fazer". O Sr. Chateaubriand abriu portas para que Paul pudesse se encontrar com alguns oficiais do governo, inclusive o Diretor da Aeronáutica Civil, o Ministro da Agricultura, e o Diretor da Fundação Central Brasil. Todos mostraram-se dispostos a ajudar-nos em tudo o que for possível. Mesmo diante desses bons contatos, Paul Fleming reconheceu que somente Deus poderia abrir aquelas portas e escreveu: “Sabemos que estes contatos poderão não produzir resultado nenhum. Nós começamos confiando que Deus nos guiasse, e precisamos continuar só pela fé, sem confiar na ajuda dos homens. Somente o Senhor poderia conseguir estes contatos maravilhosos e dar-nos favor aos olhos desses homens. Uma coisa parece certa, a porta ao Brasil está bem aberta, especialmente às tribos que têm sobrevivido através dos séculos e sem nenhum testemunho do Evangelho".

Paul Fleming disse aos oficiais que a NTM pretendia colocar 300 missionários no interior do País dentro dos próximos cinco anos. Que visão tremenda! Em cooperação com oficiais do governo, Paul e a liderança do Campo decidiram concentrar os missionários nas cabeceiras do rio Xingu.
Não muito depois destes encontros com o Sr. Chateaubriand e os oficiais civis, Paul e Cherrill Fleming, juntamente com Dick Wyma chegaram em Guayaramerim, Bolívia, para ver o progresso do trabalho ali. Tendo Lyle e Lila Sharp permanecido ali muito tempo, quase sem contato com outros crentes, Paul achou que deveriam tirar um tempo de férias. Prepararam as coisas para irem na volta do Tribesman, aeronave da Missão, aos EUA, que vinha chegando agora com uma carga de novos missionários.
Quando chegou o Tribesman, na sua sétima viagem, havia 29 novos missionários a bordo, a maioria visando serviço missionário na Bolívia. Enquanto Lyle cuidava dos documentos do pessoal, Paul reuniu o grupo. Ele abriu um mapa da região de Guajará-Mirim e os desafiou: “Por que prosseguirem para a Bolívia quando há tantas necessidades aqui? Por que não ficar aqui? Aqui é o ponto final do vôo.” Face ao desafio, catorze dos novos missionários decidiram ficar no Brasil. Os Sharp partiram no Tribesman para seu período de férias, deixando os catorze para tomarem seu lugar e expandirem o trabalho.
Em abril de 1950, Paul Fleming fez sua última viagem ao Brasil. Ele orientou a liderança do campo a fim de que os missionários se espalhassem o mais possível e os lugares vagos poderiam ser preenchidos depois. Em 06 de junho de 1950, Adalberto Denelsbeck e Otto Austel foram os primeiros missionários da NTM a receberem permissão escrita do Serviço de Proteção ao Índio (SPI ) para trabalharem nas cabeceiras do Rio Xingu.
Em novembro de 1951, chegou a Belém o navio da Missão, o M/V Tribesman trazendo 80 missionários. Sua segunda viagem, em fevereiro de 1952, trouxe mais 68 toneladas de equipamentos. Finalmente havia pessoal suficiente para começar a atender as necessidades. Espalharam-se até as regiões mais remotas do País.
Carl Taylor conseguiu um vôo até às cabeceiras do Xingu num avião da Força Aérea Brasileira, em dezembro de 1951. Procurou falar com Orlando e Cláudio Vilas Boas, dois irmãos empregados pelo SPI, sobre as possibilidade da Missão trabalhar na região. Os irmãos Vilas Boas trabalhavam em cooperação com a Fundação Central Brasil (FCB), abrindo pistas de aviação através da mata amazônica. Quanto ao trabalho missionário não foi resolvido nada na ocasião. A FCB pensava na colonização do interior do País e o SPI queria proteger os índios das más influências da civilização não-índia.

ORGANIZAÇÃO

O Comitê Executivo da NTM concordou que o território nacional era vasto demais para ser administrado como um só campo, portanto concordou com o Conselho do Campo Brasileiro em dividir o País em dois setores : Leste e Oeste. A sede do setor Oeste seria Manaus e do Leste, Vianópolis.
Cada campo funciona independentemente. Perante o governo, porém, os dois são uma só entidade. Finalmente, foi necessária a formação de três Conselhos: o do Oeste, Leste e o Conselho Geral – que tem certas responsabilidades pela Missão toda, especialmente perante o governo. O Geral é constituído de dois membros do conselho de cada campo e um presidente da Missão Brasileira toda, não podendo, todavia, o presidente tornar-se membro de nenhum dos Conselhos.
Ralph e Cathy Hovland chegaram a Vianópolis em 1955. A escola para os filhos dos missionários já estava funcionando lá, mas com a chegada de Ralph o trabalho da Sede ampliou-se muito. Em seguida, estabeleceu-se o Centro para Orientação e Ensino de Português aos novos missionários, e também a tesouraria geral da Missão. Há muitos anos as conferências do Setor Leste são realizadas ali e, em 1973 a Escola Linguística Ebenézer foi transferida para lá.
Pelo fato de todas as atividades da Missão terem como base Vianópolis, vários missionários têm trabalhado ali de forma mais ou menos permanente, e muitos imóveis foram construídos através dos anos.
Em julho de 1979, em Assembléia Geral da Missão resolveu-se que cada membro contribuiria com uma porcentagem da sua remessa para comprar um terreno em Anápolis, Goiás, com vistas à construção da sede permanente da Missão. Levando em consideração o acesso pelas rodovias, serviço aéreo, bancos, comércio, etc., ficou claro que a sede deveria ser Anápolis.

A NACIONALIDADE DOS MISSIONÁRIOS

O primeiro membro brasileiro da Missão foi Francisco Alves de Souza, recebido em 6 de dezembro de 1955. Em novembro de 1957, Frederico Scharf, Armando de Mateu, Luiz Monteiro da Cruz e suas esposas tornaram-se membros. O irmão Luiz Monteiro da Cruz tornou-se mais tarde presidente do Conselho Geral do Brasil, e permaneceu neste cargo até sua morte. Rinaldo de Mattos e sua esposa entraram na Missão em 1959. Mais tarde ele tornou-se membro do Conselho e com o falecimento do irmão Luiz Monteiro da Cruz, ocupou o lugar deste na presidência da Missão. Em 1982, havia uns 150 missionários brasileiros servindo nos vários trabalhos da Missão Novas Tribos do Brasil. Em julho de 1981, o Setor Leste tinha um total de 169 missionários, dos quais 78 eram brasileiros. Em porcentagens o Setor era composto de: 46% brasileiros, 49%americanos, 5% canadenses, alemães, ingleses, poloneses e paraguaios. Em julho de 1991, o Setor Oeste contava com: 109 brasileiros, 105 americanos, 14 canadenses, 5 alemães, 2 holandeses, 2 ingleses,1 boliviano, 1 colombiano e 1 venezuelano, 240 total.

PERMISSÃO PARA TRABALHAR

A FUNAI foi criada porque o SPI provou que nunca teria recursos suficientes para atender todas as necessidades dos índios. Sendo assim, entidades filantrópicas (geralmente, missões evangélicas) foram convidadas para cooperarem com a FUNAI na assistência aos povos indígenas.
Este quadro tem outro lado: forte oposição à obra missionária. Provavelmente a oposição mais forte é a dos antropólogos.
É fato bem conhecido que nossa cultura ("civilização") prejudica o índio seriamente. Em virtude disso, a reação normal do antropólogo é procurar isolar as tribos, vedando-lhes toda influência da nossa cultura. O problema é que o índio não fica isolado, porque a população não-índia cresce rapidamente e está, cada vez mais, ocupando os seus territórios.
Outra voz de oposição é do clero católico. A Igreja Católica tem perdido tantos dos seus fiéis para as Igrejas Evangélicas que opõem-se a qualquer avanço dos evangélicos.
Estes dois grupos têm muita influência entre as autoridades civis, e de vez em quando surgem tentativas para retirar das tribos os missionários evangélicos. É fato conhecido que o missionário é a única proteção do índio contra exploração e doenças, e o bom senso prevalece.
Pensando em valores eternos, Jesus é o caminho, a verdade e a vida e ninguém vai ao Pai sem ele. É necessário que os índios ouçam Sua mensagem e é só Deus que pode manejar a política humana e abrir as portas. Deus está edificando Sua Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Um exemplo: na época do Presidente Jânio Quadros, algumas autoridades fecharam o trabalho entre os Pacaas Novos. Apelou-se até para o Presidente da Nação, sem resultado. Repentinamente, o Presidente Jânio demitiu-se do cargo e o seu substituto colocou um novo presidente no SPI, um coronel que tornou-se amigo dos missionários e, em 1963, reabriu a porta para que o trabalho entre os Pacaas Novos continuasse.
Outro exemplo da mesma época: um bispo em Manaus acusou os missionários no rio Içana de ensinar os índios a envenenarem os não-índios, destruir as imagens católicas e proibir os índios de criar porcos. E um general do Exército resolveu executar uma lei que proíbe os estrangeiros de residirem dentro de 150 quilômetros numa fronteira da área indígena. Em 1963, com a intervenção do coronel amigo na presidência do SPI, o trabalho do Içana recomeçou. Há ocasiões em que a FUNAI convida missionários para trabalharem na áreas de medicina e educação, mas procura impedir qualquer trabalho religioso.

AVIAÇÃO

Em 03 de outubro de 1951, Clem e Célia Smith e seus dois filhos, Bill e Emily Post chegaram a Belém com um Norseman. O avião Norseman levava até nove pessoas ou 650 quilos, era devagar, funcionava bem em florestas ou regiões montanhosas. Em novembro de 1951, a aeronave levou Alton Cothron, Jack Vaugn, Myrtle Rhen, Delores Bleich e Ebba Olson a Goiânia - Goiás, onde começaram o estudo da língua portuguesa. Até o fim do ano 1951, o avião tinha feito cinco viagens a Belém, levando mais missionários e grande quantidade de bagagem. A base do avião era Vianópolis onde havia uma pista satisfatória.
O problema do Norseman foi seu alto consumo de gasolina; queimava quantidades exageradas. Houve uma confusão na aquisição do combustível porque os missionários tinham entendido que a FAB estava doando a gasolina para cooperar com a Missão, mais tarde, porém, a FAB cobrou o valor real do combustível trazendo muitos transtornos para os missionários. Passado um tempo, a aeronave foi vendida para alguém do Paraguai.
Na sua primeira viagem o M/V Tribesman trouxe um avião Stinson, com capacidade para 4 pessoas, pertencente a Carl Taylor. O Stinson tinha como base a cidade de Goiânia e o piloto era William Price.
Ao chegar ao porto de Belém, um amigo conseguiu sua entrada no País sem passar pela Alfândega. Parecia ser uma vitória. Mas na hora de registrar um plano de vôo no aeroporto de Goiânia, o recibo da Alfândega era um dos documentos exigidos, e não havia mais possibilidade de adquiri-lo. O avião ficou totalmente inutilizado e finalmente foi vendido ao irmão Les Pederson, missionário no Paraguai.
Trabalhando entre os Macurapi, perto de Guajará Mirim, Wilbur Abbey e Lyle Sharp viam o valor de um avião. A viagem de Guarajá Mirim até a aldeia podia levar até quinze dias, devido a um grande pântano. Numa viagem a Manaus em junho de 1967, Lyle Sharp e alguns colegas compraram um avião Aerona para quatro pessoas, equipado com pontões. Nos dois anos seguintes o avião valia muito na obra. Em junho de 1969, Lyle decolou do rio Madeira, rumo a Manaus levando dois irmãos brasileiros. O avião caiu na água. Lyle caiu, e embaixo da água tentava, sem resposta, saber como Deus o tirou do avião. Muito aliviado, ele viu os dois companheiros nadando à beira do rio. Todos sofreram arranhões e leves machucaduras e Lyle passou uns dias num hospital. Nada foi aproveitado do avião. Lyle aceitou tudo como sendo a vontade de Deus.
Posteriormente, uma outra missão, Asas de Socorro (Christian Airmen's Fellowship), foi estabelecida no Brasil para atender as necessidades das missões evangélicas. A MNTB goza boa comunhão com a Asas de Socorro.

ESCOLAS PARA FILHOS DE MISSIONÁRIOS

Setor Leste


Paul Fleming havia pedido a Nina Templeton que viesse ao Brasil a fim de formar uma escola para este fim. Ela iniciou seu trabalho a bordo do M/V Tribesman, na viagem ao Brasil, em outubro de 1951, no convés do navio. O casal, Clayton e Nina Templeton, logo abriu sua escola numa casa alugada em Vianópolis. Clayton como pai do dormitório e ela, professora. Bill e Eloise Post chegaram em janeiro de 1952 e também foram para Vianópolis; Bill foi um dos pilotos do Norseman e Eloise trabalhou com Nina no ensino. A escola começou sua existência com quatro crianças: Carleen e Calvin Taylor, Richard Smith e Daniel Templeton.
O High School neste setor teve início em agosto de 1964, com oito adolescentes. Chegou mais uma professora, Dorothy Schanz e em 2 de fevereiro de 1972, foi iniciada a construção de um prédio para o High School.

Setor Oeste

Em março de 1956, Russ Garber adquiriu o terreno de Puraquequara, aproximadamente 60 alqueires, à margem do rio Amazonas, abaixo de Manaus. Ele esperava estabelecer ali a Escola de Línguas, Lingüística, e Alfabetização. O terreno tinha duas casas, algumas seringueiras e castanheiras. Ron e Elaine Lotz abriram uma escola para filhos de missionários no terreno em 17 de setembro de 1958, com nove alunos. Antes do encerramento do primeiro ano o número de alunos chegou a vinte e um. Dos primeiros nove alunos, cinco estão trabalhando hoje na Missão Novas Tribos: Dona Dirkson, Mark Emsheimer, Theodore Enns,Bing Hare, e Sarah McKnight.
O Corpo Docente tem sido constituído de professores da Missão Novas Tribos, professores emprestados por outras missões e missionários "associados" – servindo estes últimos por um período relativamente curto.
O primeiro prédio da Escola foi uma cozinha coberta de palha, e reformada. O primeiro prédio construído pela Escola foi feito de adobes, com duas salas de aula. Hoje no terreno há: um prédio da Escola Primária, um para o High School, três dormitórios, cozinha-refeitório, duas oficinas, algumas casas para a liderança e hospedagem, e uma escola para os filhos dos brasileiros ribeirinhos.
O High School começou a funcionar em 1961. Em 1962, a Escola abriu as portas para crianças de outras missões e o número hoje varia. A Escola cresceu; o número de alunos hoje varia entre 70 e 100, inclusive crianças de até dez outras missões. As outras missões, aproximadamente dez, têm sido uma bênção cooperando com a MNTB.
Os fundadores da Escola não visavam apenas o desenvolvimento acadêmico dos alunos, queriam ver, principalmente, o desenvolvimento espiritual deles, inclusive uma dedicação das suas vidas para o serviço do Senhor.
Harold Davis e Bing Hare participaram da primeira formatura do High School. Os dois serviram no Conselho do Setor Oeste e Bing Hare é hoje presidente da Missão Internacional. Até janeiro de 1991, 172 alunos se formaram no High School, 96 deles de famílias da MNT. Destes 96, 75% estudaram posteriormente em instituições de ensino bíblico, visando uma carreira missionária. As duas maiores turmas de formandos foram nos anos 1974 e 1975, doze formandos de cada vez. Há muitos formados em Puraquequara que atuam nos dois Setores da MNTB, na Bolívia, Colômbia, México, Senegal, Indonésia, Costa do Marfim, Paraguai, e nos Estados Unidos. Outros estão trabalhando em diferentes missões evangélicas espalhadas pelo mundo.

PROGRAMA DE TREINAMENTO MISSIONÁRIO

Por que iniciar programas de treinamento em outros países? Não seria melhor enviar todos os missionários diretamente à obra de evangelização em vez de segurá-los em institutos de treinamento? Vejamos um exemplo, o Brasil. O missionário estrangeiro chegando aqui tem que passar um certo tempo aprendendo o português e adaptando-se à cultura nacional. Enquanto o obreiro brasileiro não enfrenta este problema, o estrangeiro frequentemente é visto com certa desconfiança. Se um americano abre um poço, alguém pensa que está atrás de ouro, se trabalha na área indígena dizem que estão a procura de pedras preciosas.
Até o estabelecimento do Instituto Peniel, em 1956, a Missão já reconhecia a impossibilidade de manter um número suficiente de missionários estrangeiros no País que pudesse alcançar todas as tribos. Por outro lado, estava claro que as igrejas evangélicas brasileiras precisavam assumir a responsabilidade de alcançar os povos indígenas do País.
Não havia nenhum programa competente que preparasse os candidatos para aquele ministério; Deus, porém, já estava elaborando um projeto especial. Dona Maria de Souza Prado desejava ver um colégio evangélico estabelecido perto de sua cidade, Jacutinga, Minas Gerais, e propôs doar um terreno para o projeto. Ela encontrou Paul Guilley da Missão Novas Tribos, que veio ao Brasil com o desejo de fundar um instituto bíblico, que seria a primeira etapa na organização de um programa de treinamento. Dona Maria prontamente doou o terreno para o "Instituto Evangélico Missionário". O nome foi mudado mais tarde para "Instituto Bíblico Peniel” (“Peniel” significa face a face com Deus).
Os fundadores do Instituto iniciaram o projeto com o terreno doado, uns cinco alqueires, e cinco pacotes de pregos; "cinco sementes de fé" de que Deus supriria todo o restante. Naquele primeiro ano as aulas foram ministradas na Igreja Presbiteriana Independente de Jacutinga, terminando em junho de 1956. Em agosto de 1956, o Instituto começou a funcionar na sua propriedade. Em junho de 1957, Peniel contava com 35 alunos de cinco denominações diferentes; em junho de 1965 o número tinha crescido para 100. O desenvolvimento físico do Instituto acompanhava este crescimento meio devagar. As casas para alunos eram construídas de duratex e os banhos tomados num córrego que passa ao lado do terreno. Com o passar dos anos construíram-se casas de alvenaria ; a energia elétrica foi instalada; a estrada de terra asfaltada, e hoje há uma linha de ônibus como boa opção de transporte para o pessoal.

SHEKINAH

Nos primeiros anos de sua existência, o Instituto Peniel procurou dar todos os cursos de treinamento missionário: bíblico, missionário e estudo linguístico. Até o ano 1967, porém, o Instituto tinha conseguido tantos benefícios da civilização que não oferecia mais condições para dar o treinamento rústico – Campo de Treinamento. Em resposta à oração, o Sr. Antônio Barbosa Reis doou um terreno de vinte alqueires no Estado de Mato Grosso (hoje, Mato Grosso do Sul), perto do Rio Brilhante e ali foi fundado o local de treinamento chamado Shekinah.
Floyd Gilbert e alguns alunos de Peniel chegaram ali em 17 de novembro de 1967. Abrigaram-se numa velha casa de fazenda perto do terreno enquanto construíam casas de madeira para líderes e alunos do futuro Instituto. Stan e Dyann Donmoyer chegaram a Shekinah em dezembro do mesmo ano.
As aulas foram iniciadas em janeiro de 1968, com seis alunos. O curso, de um ano, incluía as seguintes matérias: Evangelismo Transcultural, Igreja Neo-Testamentária, e Sobrevivência na Selva. Como aconteceu em Peniel, as construções continuaram por muito tempo e todo o trabalho feito pelos líderes e alunos.
Os candidatos, normalmente, têm receio das instruções de Sobrevivência na Selva. Todos têm construir o seu próprio abrigo; participar de longa caminhada, carregar água e conviver com os insetos. Mas depois de vencer alguns obstáculos, alunos acham divertido aquele período passado na mata.
Por que este treinamento rústico quando em muitos casos o missionário vai de avião à aldeia? Pode acontecer que o missionário passe meses preparando uma pista antes que chegue o avião à sua aldeia seja necessário construir sua casa para proteger-se dos insetos.
A constituição de Shekinah foi preparada e aprovada em dezembro de 1975. De sua criação até 1981, já haviam se formado 190 pessoas no Instituto. Em agosto de 1987, faziam parte dos formandos de Shekinah 215 membros da MNTB.

EBENÉZER

Durante um tempo o curso linguístico foi ministrado em Shekinah, passando depois para Peniel. Resolveu-se, porém, que este curso deveria ser a última etapa do preparo missionário por envolver material de natureza técnica, que precisa ser colocada em prática o mais rápido possível.
Em 1973, a escola em Vianópolis terminou a construção de alguns prédios que seu desenvolvimento exigia, e desocupou outros menores e a Escola Linguística Ebenézer transferiu-se definitivamente para Vianópolis no mesmo ano.
Os missionários têm concluído que, para as verdades espirituais penetrarem os corações, serem entendidas e comoverem, é necessário que sejam transmitidas na língua materna, mesmo que alguns saibam se expressar em português. O curso linguístico capacita o candidato a aprender e analisar uma língua desconhecida, nunca escrita.
Desde 1987 mais de 200 candidatos têm feito o curso e estão trabalhando em 28 tribos, e outros atuam na Índia, Paquistão, Nova Guiné e Senegal.

MACEDÔNIA

Um terreno, de 40 quilômetros a oeste de Recife, Estado de Pernambuco, foi oferecido à Missão, e diante disso cremos que Deus estava abrindo as portas para que um novo instituto bíblico fosse estabelecido ali. O Nordeste do Brasil tem centenas de igrejas evangélicas em Recife, João Pessoa, Natal, Fortaleza e em muitas outras cidades. A região é um grande campo para a apresentação do desafio de levar a mensagem aos povos indígenas.
O Instituto tornou-se realidade em janeiro de 1982, quando as aulas foram iniciadas com quatro alunos e os professores Alton e Ebba Cothron. A primeira formatura dos quatro formandos foi em dezembro de 1984. Atualmente, a média é de 25 alunos e sete líderes.
O terreno de Macedônia pertencia a um orfanato, portanto já havia alguns prédios, os quais, através dos anos tiveram que passar por várias reformas e dentro das possibilidades outros têm sido construídos para atender as necessidades.

LAR PARA FILHOS DOS MISSIONÁRIOS BRASILEIROS

As escolas em Vianópolis e Puraquequara foram estabelecidas para atender as necessidades dos filhos dos missionários estrangeiras e o ensino é ministrado na língua inglesa. Mais tarde, o Conselho Geral viu a necessidade de um lar para hospedar os filhos dos missionários brasileiros durante o tempo necessário da sua formação escolar. Na maioria dos casos as escolas existentes nas áreas indígenas não possuem um ensino adequado, e como Peniel tem sua própria escola, a nível da primeira fase do primeiro grau primário e na cidade vizinha de Jacutinga, a segunda fase do primeiro grau, decidiu-se em dezembro de 1976, que a Missão construiria um lar no terreno de Peniel, visando este fim.
Em julho de 1982, a Missão comprou uma propriedade do SIL (Wycliffe) em Manaus para transformá-la em um lar para os filhos dos missionários brasileiros no Setor Oeste. Os prédios no terreno foram modificados para servirem de dormitórios. O nome da propriedade hoje é “Dormitório Paulo Corenchuc” em honra a este irmão que serviu ao Senhor com muita dedicação antes de partir para seu lar eterno.
Alguns anos depois, o Lar do Setor Leste foi mudado de Peniel para Anápolis. Em 1979 a Missão comprou uma propriedade em Anápolis e a passos lentos as funções da sede da Missão iam se transferindo de Vianópolis para Anápolis. Chegou o momento em que o estudo dos jovens precisava incluir o segundo grau (colegial), e não sendo dado satisfatoriamente em Jacutinga, o Lar foi mudado de Peniel para Anápolis.

Tudo aquilo que sou, ou pretendo ser, devo a um anjo, minha mãe.

Abraham Lincoln

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