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John Wesley (1703-1791) - Biografia

A importncia da vida e mensagem de John Wesley bem conhecida. No exagero dizer que impactou profundamente a histria da Inglaterra e da Amrica.

Em 28 de junho de 1703 nascia em Lincolnshire, na Inglaterra, o fundador da Igreja Metodista Wesleyana: John Wesley, cuja esposa chamava-se Susanna, era o 12 dos dezenove filhos do reverendo Samuel Wesley, um proco de Epworth.

Quando completava seis anos, quase perdeu a vida num incndio noite, provocado por um grupo de malfeitores. O fogo se alastrava no teto de palha da parquia onde eles moravam, comeando a estilhaar brasas sobre as camas. Subitamente, Hetty Wesley, um dos irmos menores, acordou assustado e correu at o quarto de sua me. E logo todo mundo estava em p, tentando conter o domnio das chamas, enquanto a pequena criada, agarrando o beb Charles nos braos, chamava as crianas para um lugar mais seguro. A essa altura, Twice Susanna Wesley forava a porta contra as costas, numa tentativa desenfreada de proteger-se.

A famlia finalmente conseguiu sair de casa e, apavorada, reuniu-se no jardim, pois descobrira que o pequeno Jeckie havia ficado l dentro dormindo. Voltaram correndo, mas era tarde: a escada estava em cinzas e tornava impossvel resgat-lo. O rapaz chegou at aparecer na janela, porm no podiam segur-lo, visto que a casa ficava no segundo piso. Todavia, um pequeno homem pulou sobre o largos ombros do pai de Wesley e, num esforo desmedido, conseguiu salvar a criana.

Um Estudante de Cristo

Conseqentemente, uma profunda ternura passou a residir no corao de Jackie que, mesmo depois de homem, considerava que havia escapado aquela noite porque Deus tinha um propsito muito especial em sua vida. Vrias vezes ele chegou a comemorar este dia em seu dirio secreto que escreveu: "Arrancado das Chamas".

Seis anos depois, em Charter House School, Jeckie matriculou-se na Universidade em Oxford, tornando-se um estudante da igreja de Cristo. Quatro anos mais tarde graduou-se em bacharel de artes e em 1726 foi eleito acadmico do Colgio Lincoln.

Enquanto John Wesley era ordenado ao ministrio e ajudava o pai em casa, Charles, o irmo mais novo, organizava em Oxford um pequeno grupo de estudantes para oraes regulares, estudos bblicos e outros servios cristos. O Clube Santo, como era chamado, inclua vrios integrantes, que, mais tarde, tornaram-se pioneiros de um avivamento, ocorrido no sculo XVIII, destacando-se, entre outros, George Whitfield.

Obedecendo ao Senhor, John Wesley viajou para colnia em Georgia, como capelo, em 1736. Charles nesta poca era secretrio do governador e o piedoso trabalho em Georgia, embora com muitas lutas, teve sucesso mais tarde. O reverendo George Whitfield, depois de visitar a sede do movimento, escreveu: "O eficiente trabalho de John Wesley na Amrica impressionante. Seu nome muito precioso entre o povo, pois tem edificado as fundaes que, espero, nem homens nem demnios a abalem".

Aprendendo a Confiar

Em contato com German Moravian Christians na Amrica, Wesley questionava sobre as verdades crists. Sabia muito bem que o xito de seus trabalhos estava nas mos de Deus e, por isso, comeou a busc-lo em orao. No demorou muito tempo e, em 24 de maio de 1738, acabou encontrando a resposta quando, de volta para a Inglaterra, resolveu registrar tudo quanto acontecera naquele dia: "A tarde, visitando a sociedade em Aldersgate Street, li o Prefcio da epstola aos Romanos na verso de Lutero, cujas palavras tocaram-me profundamente. Senti meu corao bater fortemente. E, desde aquele momento, aprendi a confiar em Cristo como meu Salvador. Estou seguro de que os meus pecados esto perdoados. Me salvei da lei do pecado e da morte". Esta experincia mudou o rumo da vida de Wesley que, a partir daquele momento, passou a ser uma nova criatura, sendo consagrado o maior apstolo da Inglaterra.

John Wesley comeou o trabalho de pregao ao ar livre quando viajava para Bristol a fim de ajudar George Whitfield, que na poca era conhecido como o mais eloquente pregador da Inglaterra. Wesley, a princpio, rejeitou a idia, mas uma vez convencido da vontade de Deus, acabou se tornando mais famoso que Whitfield. Viajava 11 quilmetros por ano. Experimentou os mais cruis sofrimentos e oposies em toda sua vida. Estava frequentemente em perigo.

Embora fosse sbio e proeminente, o itinerante evangelista era um homem simples e executou muitas obras sociais. As suas poderosas mensagens muito influenciaram a igreja que, no ano de 1739, adquiriu uma sede para o movimento protestante, que crescia vertigiosamente. Comprou uma casa de fundio em runas, na cidade de Moofield, e transformou-a num templo. O prdio passou por uma rigorosa reforma que custou, na poca, 800 libras (quantia superior ao da compra que foi de 115 libras), mas valeu a pena. Depois de pronta, a capela passou a comportar cerca de mil e quinhentas pessoas.

Era o primeiro edifcio metodista em Londres, onde a verdadeira doutrina de Cristo era proclamada. Pessoas sedentas por ouvir a gloriosa mensagem do evangelho cruzavam todos os domingos a escurido das estradas de Moorfield com lanternas, para ouvir os ensinamentos de Wesley. O prdio dispunha de sala de reunies, com capacidade para 300 pessoas, sala de aula e biblioteca.

Mais tarde, John Wesley instalou a sua prpria casa na parte superior da capela, onde passou a morar com a sua famlia. Em 1746, abriu um centro de atendimento mdico e escola gratuitos, com capacidade para 60 estudantes, contratou farmacutico, cirurgio e dois professores e, em 1748, alugou uma casa conjugada para refugiar vivas e crianas.

Muitos foram os patrimnios conseguidos pela igreja durante os 40 anos do movimento metodista em Moorfield, organizada por John Wesley. Entretanto, devido a expirao do contrato imobilirio, a sede teve de mudar-se para um outro lugar.

Prximo dali, em City House, encontrava-se um vasto campo onde jaziam os tmulos de Bunhill Field e o de sua esposa Sussana Wesley. Um lugar de pntanos, recentemente aterrado, onde foi construda a catedral de Saint Paul. Havia tambm no local algumas pedras de moinho, utilizadas para moer milho trazido do Thames, que era transformado em trigo.

John Wesley alugou quatro mil metros quadrados destas terras em 1777 para construir a nova capela. E, finalmente, em 21 de abril do mesmo ano, sob forte chuva, lanou a pedra fundamental, com a seguinte gravao: "Provavelmente, esta pedra no ser vista por algum olho humano, mas permanecer at que a terra e o trabalho sejam consumados". Naquele dia, Wesley improvisou um plpito sobre a pedra e pregou em Nm 23.23.

A Recompensa

Em 1 de novembro de 1778, dezoito meses depois, no Dia de Todos os Santos, a capela estava prxima de ser aberta para a adorao pblica. Apesar dos ventos das dificuldades (alm de ter contrado muitas dvidas, os trabalhadores tiveram as ferramentas roubadas), Deus recompensou grandemente o esforo de Wesley, levantando voluntrios dentre os membros. O rei George III, por exemplo, doou mastros de navios de guerra para o suporte das galerias.

Conta a histria que um certo dia Wesley ficou de um lado do templo e Taylor, um dos cooperadores do outro, com os chapus nas mos, e conseguiram arrecadar 7 libras; o suficiente para a concluso das obras. Toda a galeria foi coberta com gesso e os bancos de madeira de carvalho, doadas pelas igrejas da Amrica, Canad, Sul da frica, Austrlia, Oeste da ndia e Irlanda. As janelas vitrificadas, as impresses no teto foram trabalhados no estilo Adams (rplica antiga), e a casa de Wesley construda num ptio em frente capela. Estas raridades, depois de reformadas em 1880, no centenrio da morte de Wesley, memorizam as epopias deste bravo soldado de Cristo.

Sua Morte

Mesmo depois de velho quase cego e paraltico, John Wesley continuava pregando em City Road e Latherhead. E, quando percebeu que sua vida estava chegando ao fim sentou-se numa cama, bebeu um ch e cantou:

"Quando alegre eu deitar este corpo e minha vida for coroada de bno, quo triunfante ser o meu fim! Eu glorificarei a meu Criador enquanto tenho flego; E, quando a minha voz se perder na morte, empregarei minhas foras; em meus dias o glorificarei enquanto tiver flego at o fim de minha existncia".

Wesley foi enterrado no Jardim-tmulo, em frente capela em City Road, sob as luzes das lanternas, na manh de 2 de maro de 1791. Morreu com os olhos abertos e balbuciando a seguinte palavra: "Farwell" (adeus). Cerca de 10 mil pessoas acompanharam o funeral. E a lpide at hoje indica o significado histrico: " memria do venervel John Wesley: o ltimo companheiro do Lincoln College, Oxford..."

Fonte: Revista Obreiro Aprovado (Fev/Mar 1996).


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A importncia da vida e mensagem de John Wesley bem conhecida. No exagero dizer que impactou profundamente a histria da Inglaterra e da Amrica, com efeitos diversos em toda a sociedade, sem falar da revoluo no cristianismo frio e formal da Igreja Anglicana.

Porm, no final do seu ministrio, Wesley no estava muito satisfeito com os prprios seguidores metodistas. Seu corao ardente e radical j percebia os sinais de acomodao e adaptao do novo movimento.

A seguir, um trecho de um dos seus sermes, onde exerce sua funo de despertar e alertar aqueles que deveriam estar na vanguarda do mover de Deus:

"Acaso no h blsamo em Gileade? Ou no h l mdico? Por que, pois, no se realizou a cura da filha do meu povo?" (Jr 8.22).

Por que o cristianismo tem feito to pouco bem no mundo? ... No foi designado, por nosso todo sbio e todo-poderoso Criador, para ser o remdio para o mal da corrupo universal da natureza humana? ... Entretanto, a doena ainda permanece com pleno vigor: maldade de toda espcie, vcios e hbitos impuros, interiores e exteriores, em todas as suas manifestaes, ainda dominam por toda a face da terra.

A seguir, Wesley discorre sobre as reas do mundo ainda no alcanadas pelo cristianismo, sobre as regies islmicas e pags, mostrando que l o cristianismo ainda no pde influenciar as pessoas e transform-las. Mas, ele pergunta, e quanto aos pases "cristos"? Certamente ali encontraremos uma situao diferente. Infelizmente, no o que se pode constatar. Teremos sorte se no descobrirmos que o comportamento geral nestes pases pior do que naqueles onde ningum conhece o cristianismo. A massa da populao crist apenas no nome, no conhece realmente o cristianismo, nem sabe o que . Pelo contato pessoal que teve, na Inglaterra e em outros pases, com catlicos, protestantes ou ortodoxos, Wesley afirma que a maioria totalmente ignorante, tanto em relao teoria, como prtica, do cristianismo; sem conhecer, nem ao menos os primeiros princpios, perecem por falta de conhecimento. Mesmo nos pases mais afetados pela Reforma, naqueles onde se esperaria achar grandes nmeros de cristos praticantes e bblicos, entre dez freqentadores de igrejas, entre dez pessoas fiis e assduas, nove, com certeza, no saberiam explicar coisa alguma dos princpios bsicos da vida crist, da redeno, da ao do Esprito Santo, da justificao, do novo nascimento, da santificao interior ou exterior. E como o cristianismo poderia trazer algum bem, alguma transformao, para pessoas neste estado de ignorncia?

Vamos trazer a questo ainda mais prxima. O cristianismo bblico no pregado e bem conhecido entre o povo comumente conhecido como metodista? Observadores imparciais admitem que . E no se pratica entre eles, no s a doutrina, mas a disciplina tambm, em todas as suas ramificaes essenciais, sendo exercitada regular e constantemente? Por que, ento, estes no so totalmente cristos, j que tanto tm doutrina como disciplina crist? Por que a sade espiritual do povo chamado metodista no foi recuperada? Por que no temos todos ns "o mesmo sentimento que houve tambm em Cristo Jesus"? Por que no aprendemos dele nossa primeira lio, tornando-nos mansos e humildes de corao? Por que no dizemos junto com ele, em todas as circunstncias da vida: "No minha vontade, mas a tua; no vim para fazer a minha vontade e, sim, a vontade daquele que me enviou"? Por que no fomos "crucificados para o mundo e o mundo para ns" - mortos para os "desejos impuros da carne, os desejos dos olhos e a soberba da vida"? Por que todos ns no vivemos a vida que est "escondida com Cristo em Deus"?

Para dar exemplo em apenas uma rea: quem atende a estas palavras solenes: "No acumuleis para vs outros tesouros sobre a terra"? Das trs regras que se estabelecem a este respeito, voc pode encontrar muitos que observam a primeira: "Ganhem o quanto puderem". Ainda encontrar alguns poucos que observam a segunda: "Economizem o quanto puderem". Mas quantos poder achar que praticam a terceira: "Dem o quanto puderem"? Ser que entre cinqenta mil metodistas haver quinhentos que o faam? E, no entanto, nada pode ser mais claro do que a concluso de que todo aquele que guardar as primeiras duas regras sem a terceira ser ainda duas vezes mais filho do inferno do que antes!

que Deus me capacitasse mais uma vez, antes que eu seja levado para nunca mais ser visto, a levantar minha voz como trombeta e falar com aqueles que ganham e economizam tudo que podem, mas no contribuem tudo que podem! Vocs so as pessoas, talvez as principais, que continuamente entristecem o Esprito Santo de Deus e, em grande medida, impedem sua influncia graciosa de descer sobre nossas assemblias. Muitos dos seus irmos, amados de Deus, no tm alimento, no tm vestimentas, no tm lugar para inclinar suas cabeas. E por que so assim angustiadas? Por que vocs esto, mpia, injusta e cruelmente retendo deles aquilo que o Mestre, tanto seu quanto deles, colocou em suas mos com o propsito expresso de suprir as necessidades deles! (...)

Naquilo que est gastando, Deus o recomenda? Ele o louva por aquilo que fez? Ele no lhe confiou os bens dele (e no os seus) para este fim? E agora lhe dir: "Muito bem, servo de Deus"? Voc sabe muito bem que no. Aquela despesa intil no tem aprovao, nem da parte de Deus, nem da sua conscincia.

Mas voc diz que tem condies de comprar! Que vergonha deve sentir por ter pronunciado bobagem to desprezvel com sua boca! Nunca mais deve admitir tamanha tolice, absurdo to palpvel! Um administrador tem condies de ser um fraudador descarado? De desperdiar os bens do seu Senhor? Algum servo tem condies de fazer compromissos com o dinheiro do seu Mestre, alm daquilo que este lhe ordenou? (...)

Mas, para voltar nossa pergunta inicial. Por que o cristianismo fez to pouco bem, mesmo entre ns? (...)

Claramente, porque nos esquecemos, ou pelo menos no atendemos devidamente, s solenes palavras do nosso Senhor: "Se algum quer vir aps mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz, dia a dia, e siga-me". Um homem de Deus comentou, j h alguns anos: "Nunca antes houve um povo na igreja crist que tivesse tanto poder de Deus no meio deles e, ao mesmo tempo, to pouca abnegao". De fato, a obra de Deus realmente vai avanando de forma surpreendente, apesar desse defeito capital; entretanto, no ser na intensidade que teria de outra forma, nem a Palavra de Deus ter todo seu efeito, a no ser que os ouvintes "neguem-se a si mesmos e tomem suas cruzes diariamente". (...)

Quanto mais observo e considero estas coisas, mais claro est: ...os metodistas ficam mais e mais indulgentes para consigo mesmos, porque esto ficando mais ricos. Embora ainda haja muitos em misria deplorvel..., tantos e tantos outros, no espao de vinte, trinta ou quarenta anos, ficaram vinte, trinta, at cem vezes mais ricos do que eram quando primeiro ingressaram na sociedade [metodista]. E uma observao que admite poucas excees: nove entre dez destas pessoas diminuram na graa na mesma proporo em que aumentaram suas riquezas. De fato, de acordo com a tendncia natural das riquezas, no poderamos esperar outra coisa. Mas que fato extraordinrio este! Como podemos entend-lo? No parece (embora no possa ser assim) que o cristianismo, o verdadeiro cristianismo bblico, tem uma tendncia, com o passar do tempo, de minar e destruir a si mesmo? Pois em todo lugar onde o verdadeiro cristianismo chega, produz diligncia e frugalidade, que, no curso natural das coisas, acaba gerando riquezas! E riquezas tm o efeito de gerar soberba, amor ao mundo, e toda atitude que destrutiva ao prprio cristianismo. Agora, se no houver meio de evitar isso, o cristianismo seria incoerente consigo mesmo e, conseqentemente, no poderia subsistir...

Mas no h como evitar isso? (...) Admitindo que diligncia e frugalidade produzem riquezas, no h um meio de impedir as riquezas de destruir a religio de quem passa a possu-las? S vejo um caminho possvel; que descubra outro quem puder. Voc est fazendo tudo para ganhar o quanto puder e economizar o quanto puder? Ento, como resultado natural, voc est no caminho de enriquecer-se. Porm, se tiver algum desejo de escapar condenao do inferno, d o quanto puder; de outra forma, no tenho mais esperana para sua salvao do que a de Judas Iscariotes.

Do sermo 116, Causas da Ineficcia do Cristianismo, Dublin, 2 de julho de 1789.

Fonte: Revista Impacto - Vozes Profticas do Passado.

No h derrota que derrote quem nasceu para vencer.

Mila Pacheco

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