A administração do Maracanã e de seu complexo esportivo será cedida à iniciativa privada a partir do fim do ano. A previsão é que a licitação ocorra após o jogo da seleção brasileira contra o Equador, no dia 17 outubro. Segundo o secretário estadual de Esporte, Lazer e Turismo, Eduardo Paes, o objetivo é modernizar a gestão do estádio com vistas à Copa de 2014. Outra novidade anunciada por Paes é o fim das taxas cobradas pelo estado dos clubes cariocas para o uso do estádio, a partir de agosto — algo tem torno de R$ 50 mil por partida.

Os modelos da futura administração e da participação do Estado do Rio estão sendo definidos pela consultoria Booz Allen Hamilton — uma das maiores empresas de consultoria de gestão e tecnologia do mundo. Ela já trabalha em projetos para a Copa de 2010, na África do Sul. Segundo Paes, será desenvolvido plano de negócios para todo o complexo com análise de viabilidade econômica para implantação de lojas, restaurantes, shoppings e até hotel. O secretário não vê com simpatia a total privatização do Maracanã, mas a possibilidade também está em estudo pela consultoria.

"Será como um condomínio de concessões, com diferentes empresas explorando cada parte do negócio, como estacionamento, bares, o Maracanãzinho", explicou Paes. Ele garantiu que não haverá demolições: "É tudo tombado".

O governador Sérgio Cabral recebeu estudo preliminar da Booz terça-feira. Segundo o secretário-chefe da Casa Civil, Régis Fichtner, a administração do estádio pode se tornar a primeira Parceria Público-Privada (PPP) do estado. Projeto de lei que regulamenta esse tipo de negócio será votado quarta-feira na Alerj.

Menos gente

Outrora maior estádio do mundo, o Maracanã após a reforma terá capacidade para apenas 86.100 lugares. A última delas, para o Pan-Americano, está em andamento e consumiu R$ 394 milhões. Para ser sede da Copa, haverá novos gastos. O estádio deve ganhar lojas e terá o número de lugares reduzido para 75 mil assentos. O projeto prevê construção de estacionamento de dois andares, com 10 mil vagas, sobre a linha férrea. A estação de trem do Maracanã seria ampliada e ganharia um shopping. E o número de banheiros também pode subir de 26 para 60.

Paes conta que já conseguiu reduzir o prejuízo de cerca de R$ 10 milhões por ano ao estado. Segundo ele, em quatro meses, arrecadou R$ 4,5 milhões contra R$ 4 milhões em todo o ano passado. "Vou tornar o Maracanã lucrativo em agosto", aposta ele.

Flamengo tem interesse em ser um dos donos

O fim das taxas no Maracanã é a melhor notícia que os dirigentes dos clubes poderiam receber. O Flamengo, que precisa colocar no mínimo 10 mil pessoas no estádio para ter lucro nos jogos, demonstra interesse em se tornar ‘dono’ do Maracanã. "Privatizar seria perfeito para atender o torcedor e clubes. O Maracanã tem a cara do Flamengo, e o melhor é que um clube assumisse a gestão", afirma o dirigente, que também tem interesse no Engenhão. O estádio do Pan está sendo disputado por Fluminense e Botafogo.

Carlos Augusto Montenegro, diretor de futebol alvinegro, também defende a privatização: "É a melhor opção para a modernização". Já o presidente tricolor, Roberto Horcades, não concorda. "Se já vão privatizar o Engenhão, porque também o Maracanã?", ressalta.

A notícia também não agradou ao funcionário público Joel Teixeira, 47 anos, dono de uma das cadeiras perpétuas do Maracanã. "Nem fomos consultados sobre isso. Temos um patrimônio que não pode ser doado para ninguém", reclamou ele, preocupado.

Não é a primeira vez que se tenta passar o Maracanã para a iniciativa privada. Em 98, o governador Anthony Garotinho criou projeto semelhante, que duraria 30 anos, no qual seriam construídos shoppings, hotéis, centro de convenções e até uma biblioteca. Mas o projeto foi arquivado.

Fonte: O Dia